domingo, 20 de fevereiro de 2011

Jaguar – Evaristo Eduardo Miranda

O jaguar – ou onça-pintada, para os brasileiros – é considerado o maior felino do continente americano e, mais do que isso, um importante personagem da história das três Américas. Dispostos a desvendar esse animal-mito, a jornalista e blogueira do Planeta Sustentável Liana John e o especialista em ecologia e conselheiro do Planeta Sustentável Evaristo Eduardo de Miranda se propuseram a estudar, a fundo, o felino.

O resultado dessa intensa pesquisa é o delicioso livro “Jaguar. O rei das Américas”, publicado pela Editora Metalivros, que reúne informações a respeito da biologia e ecologia da onça-pintada e, ainda, analisa a relação do homem com esse animal e, também, com o mito que ele representa para uma porção de culturas.

A obra é dividida em duas partes e a primeira delas ficou a cargo de Evaristo. O autor descreve a aventura evolutiva dos felinos, até o aparecimento das onças-pintadas nas Américas, e ainda explica como esse animal se tornou o maior predador do continente. “O jaguar disputava espaço com animais carnívoros muito maiores do que ele. Vivia escondido. Até que, há cerca de 10 mil anos, uma grande extinção da biodiversidade, que desapareceu até com os mamutes, mudou esse cenário”, contou Evaristo.

Hoje, apesar de não ter a maior patada do reino animal e nem ser o mais veloz dos bichos, a onça-pintada possui a maior mordida e, também, a mais fatal. “Ela vai no crânio da presa. Mata na hora. É diferente, por exemplo, de um leão, que ataca a garganta de sua vítima”, disse Evaristo. Essas e muitas outras curiosidades a respeito dos hábitos, características físicas e distribuição geográfica das onças-pintadas estão relatadas na primeira parte do livro, que analisa ainda a atual relação do homem com essa espécie de felino. “O jaguar ainda está ameaçado em alguns lugares, como os EUA, mas no geral está bem conservado e possui uma boa convivência com o ser humano, o que inclusive contribui para que ele perca o medo do homem e não hesite em atacar, em alguns momentos”, contou o autor, lembrando de umas das histórias reais, que relata no livro, de um assentado de reforma agrária, no Apuí, no Amazonas, que lutou com uma onça-pintada, usando apenas as mãos e, surpreendentemente, sobreviveu.

A segunda parte do livro foi escrita por Liana John, que se propõe a analisar a importância cultural do jaguar, que é considerado um verdadeiro mito de força, poder e sexualidade para diferentes povos, como os maias, incas e xingus. “É interessante como, apesar de serem etnias distintas, elas têm em comum o grande respeito pela onça-pintada. Cada capítulo da segunda parte do livro mostra uma representação diferente que esse animal possui para essas culturas. Em algumas, ele é visto como guerreiro. Em outras, é um deus ou, até mesmo, um xamã”, contou Liana.

Na obra, a análise cultural da jornalista não se restringe à antiguidade. Liana descreve a importância do animal desde a época pré-histórica, quando já aparecia em pinturas rupestres, até a modernidade, quando pode ser visto, até mesmo, em estampas de calcinha. “Ou em marcas de cachaça e de carro, sem contar os clássicos da literatura e os clubes e associações que levam o nome do animal”, disse Liana, que concluiu: “As pesquisas históricas que eu fiz e que retrato no livro mostram que, cada um a sua maneira, todos são fascinados pela onça-pintada. É impressionante: ela carrega uma aura de bicho poderoso”.

Do começo ao fim, a obra é recheada de belíssimas imagens e, no final do livro, ainda há a tradução completa do texto para o inglês. “Espero que esse trabalho torne a onça-pintada mais conhecida, em seus detalhes. Afinal, preservação se estimula com conhecimento. Ninguém estará preocupado em ajudar a conservar um animal que nunca viu, não gosta e não admira”, disse Liana.


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