domingo, 23 de janeiro de 2011

A memória vegetal – e outros escritos sobre bíbllofilla – Umberto Eco

Neste trabalho, Eco fala da importância do livro para a evolução das civilizações e para o nascimento das grandes religiões monoteístas. Com humor e competência, Eco nos guia, amantes do livro ou aqueles que o são mas ainda não sabem, pelo mundo mágico da bibliofilia.

Resenha da Scientific American Brazil (Jan. 2011)
Se o leitor estiver interessado numa exploração lúdica, para não dizer profundamente apaixonada por um objeto dos mais fascinantes – se não o mais fascinante - já produzido pela humanidade, aqui está uma oportunidade que não deve perder: A memória vegetal, do sem- pre surpreendente Umberto Eco. Para quem não está disposto a aceitar um convite como este sem a demonstração de alguma evidência de que é procedente, por favor, passe os olhos pelas linhas seguintes: "Como é belo um livro, que foi pensado para ser tomado nas mãos, até na cama, até num barco, até onde não existem tomadas elétricas, até onde e quando qual- quer bateria se descarregou. Suporta mar- cadores e cantos dobrados, e pode ser derrubado no chão ou abandonado sobre o peito ou joelhos quando caímos no sono". Se tiver sido sensibilizado, saiba então que neste volume de porte despretensioso Umberto Eco faz uma declaração explícita de amor às bibliotecas e aos livros combi- nando como um cozinheiro de sensibili- dade, pitadas de humor, sutileza e habilidade. Entre outras ofertas, Eco conta a história do livro, das bibliotecas, diz que não é preciso ser rico para se transformar num colecionador e conta como melhor proteger esses tesouros que abrigamos em prateleiras domésticas. Umberto Eco ficou mundialmente I conhecido pelo romance O nome da rosa, que lhe deu certo ar de erudição. De fato, ele é um erudito, mas, aqui, flui com a leveza de um fio d'água.
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Os próprios deuses – Isaac Asimov


Publicado anteriormente no Brasil com o título "O Despertar dos Deuses", este vencedor dos prêmios Hugo e Nebula narra a descoberta de uma revolucionária fonte de energia que promete uma nova era para a humanidade. Não só por facilitar a vida de toda a população, permitindo que os cientistas concentrem-se em melhorias para o homem, mas por revelar a existência de um universo paralelo ao nosso. A benéfica troca de energia com os habitantes dessa outra realidade abre caminho para uma série de estudos de uma nova ciência, batizada de para-física. Quando um jovem e promissor cientista decide realizar uma pesquisa e registrar a verdadeira história por trás do desenvolvimento da Bomba de Elétrons Entre Universos, alguns fatos fazem com que surjam dúvidas sobre a veracidade da versão oficial. Este livro surpreendente revela toda a inventividade de Isaac Asimov, que, narrando a mesma história de formas diferentes e pontos de vista alternados, nos leva por realidades, mundos e sociedades que são, ao mesmo tempo, fantásticos e verossímeis.
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O povo da névoa – H. Rider Haggard


H. Rider Haggard (1856-1925) foi um dos principais introdutores das histórias de mundo perdido na ficção científica e fantasia. O Povo da Névoa (1894) é um dos melhores exemplos: o aventureiro inglês Leonard Outram busca fortuna na África. Após salvar uma mulher portuguesa da escravidão, ele e seus companheiros encontram o lendário Povo da Névoa e são envolvidos no conflito entre o seu monarca e um culto que adora um gigantesco deus-crocodilo.
H. Rider Haggard (1856-1925) foi um dos principais introdutores das histórias de mundo perdido na ficção científica e fantasia. O Povo da Névoa (1894) é um dos melhores exemplos: o aventureiro inglês Leonard Outram busca fortuna na África. Após salvar uma mulher portuguesa da escravidão, ele e seus companheiros encontram o lendário Povo da Névoa e são envolvidos no conflito entre o seu monarca e um culto que adora um gigantesco deus-crocodilo.
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A Filha da Herege – Kathleen Kent


Em 1752, Sarah Carrier Chapman escreveu uma carta à sua neta revelando um segredo que havia guardado cuidadosamente por seis décadas. Era um relato assombroso sobre os horrores de uma aldeia da Nova Inglaterra chamada Salem e que obrigaram Sarah, na época com apenas dez anos, a tomar uma decisão que mudaria sua vida para sempre. Uma história assustadora de uma época onde não se podia confiar em ninguém: conspirações, traições, meias verdades e uma crença que domina as pessoas através do medo. Descendente direta de Carrier, a autora traz à vida a Nova Inglaterra puritana em seu período mais sombrio, assim como uma família unida pela confiança na verdade e pelo amor de seus membros uns pelos outros.
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sábado, 1 de janeiro de 2011

Ubik – Philip K. Dick

Um dos romances mais curiosos, instigantes e bem-humorados de Philip K. Dick, Ubik havia sido publicado em português em 1980, pela editora lisboeta Europa-América. A nova tradução da Aleph, a cargo de Lidimila Hashimoto, traz de volta ao leitor brasileiro este importante trabalho de Dick, um dos grandes nomes da ficção científica em todos os tempos, autor que tem sido reavaliado pela intelligentsia literária norte-americana. A revista Time incluiu Ubik na sua lista dos cem maiores romances da língua inglesa, publicados entre 1923 e 2005.

Publicado originalmente em 1969, é um dos romances de Dick que mais lembram os delírios pulp que eram os textos do escritor canadense A. E. van Vogt (1912-2000). Brian W. Aldiss foi um dos primeiros a apontar a influência de van Vogt sobre Dick, e aqui temos a forte sensação de paranóia, as ações confusas e descontínuas, as transições abruptas.

Joe Chip, o herói, faz parte de um grupo de paranormais dirigidos por Glen Runciter. O grupo é especializado em "contramedidas telepáticas" - trabalham para impedir que a mente de alguém - um alto executivo, digamos - possa ser lida por telepatas em busca de segredos comerciais. No grupo está a jovem Pat Conley, garota prodígio que seria capaz de alterar o passado, e parte da sua direção é exercida pela falecida esposa de Runciter, Ella, cuja mente é mantida em um estado de "meia-vida" em um local especializado, chamado "Moratório".

Na ficção científica atual, Ella seria uma "pós-humana", com sua identidade e suas memórias mantidas em um meio digital. A ideia é bastante antiga, e aparece, por exemplo, em O Fim da Infância (Childhood's End; 1953), de Arthur C. Clarke (1917-2008) e outro livro republicado recentemente pela Aleph. Mas também em Regresso à Vida (Recalled to Life; 1958), de Robert Silverberg, em que as personalidades dos líderes de dinastias financeiras co-habitam as mentes dos seus filhos e netos, mantendo-se permanentemente como diretores dos seus conglomerados. Daí se vê que a crítica ao capitalismo dinástico na ficção científica também é anterior a Neuromancer (1985), de William Gibson, no qual também temos, em Dixie Flatline, um personagem existindo apenas no meio eletrônico e após a sua morte física.

Ubik é um dos romances de FC em que mais enxergamos uma crítica satírica ao capitalismo, já que dramatiza a competição permanente e paranóica entre organizações comerciais e financeiras, e na qual o próprio ambiente da meia-vida é palco de vasta competição "existencial" pelo controle da "realidade". Detalhes que costuram o romance, como as constantes mensagens comerciais de um produto chamado Ubik ("ubíquo" ou onipresente), também nos lembram que a paisagem cultural em que vivemos é moldada pelo comércio e pela publicidade. No grotesco futuro imaginado por Dick, mesmo em casa é preciso pagar por serviços, como ir ao banheiro ou à cozinha, inserindo moedas nas fechaduras eletrônicas que falam com você. Algumas das situações em torno disso são absolutamente hilárias - como quando o falido Joe Chip tenta arrombar uma dessas portas e ela ameaça processá-lo -, mas outras compõem um mundo de pesadelo. Mais tarde na aventura de Joe, em torno dele começam a surgir moedas com o rosto do herói - mensagens enigmáticas que, assim como a alteração de objetos e produtos à sua volta, assinalam a degradação contínua do seu senso de realidade.

Os agentes de Runciter são contratados para um trabalho na Lua, mas trata-se de uma emboscada dirigia ao grupo. Uma bomba explode e Runciter é atingido, forçando o grupo a retornar à Terra para colocá-lo em meia-vida. Mas o episódio na Lua nos lembra que Dick não era um escritor de FC hard, pois a certa altura, quando tentam evacuar o corpo de Runciter, os agentes paranormais reclamam do seu peso - na Lua, onde tudo pesa um sexto do que pesa na Terra.

O grande efeito do livro está em puxar de sob os nossos pés aquele tapete que chamamos de "realidade". A alusão a um total solipsismo se funde de maneira muito interessante com a denúncia de que é uma teia reificada de coisas, produtos e serviços comercializados que, no nosso tempo, faz a costura desse tapete.

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