Desde o término da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos encontram o fuzil Avtomat Kalashnikova em praticamente todos os conflitos que participaram. Barata e eficiente, a arma é a favorita entre rebeldes, milicianos, terroristas e traficantes, mas também é adotada por cerca de 50 exércitos pelo mundo. Conhecido simplesmente como AK-47, o modelo foi criado pelo russo Mikhail Kalashnikov em 1947, daí seu nome. Mais de meio século depois, seu design não sofreu muitas alterações.
Durante a Guerra do Vietnã, soldados norte-americanos relataram que AKs desenterrados em áreas de cultivo de arroz, apesar de imundos, molhados e enferrujados, continuavam a disparar perfeitamente. "Seu poder de fogo (600 cartuchos por minuto) e sua confiabilidade impressionante dão a ela uma vantagem sobre os modelos de armas mais sofisticadas, tais como o M-16", diz o jornalista Larry Kahaner.
Pelo impacto que esse instrumento bélico causou nos conflitos contemporâneos, Kahaner decidiu escrever o livro "AK-47", uma "biografia" do fuzil que conquistou uma reputação lendária. Com tradução de Mario Pina, o título acaba de ser publicado no Brasil pela editora Record. Leia, abaixo, um trecho do exemplar no qual o autor relata um combate ocorrido em Bagdá.
Steve Berry, um dos mais importantes nomes do thriller contemporâneo, retorna com seu herói, Cotton Malone, ex-agente secreto que se tornou negociante de livros raros.
Em "Traição em Veneza", Malone lutará contra poderosas forças para desvendar o mistério arqueológico do túmulo de Alexandre, o Grande. Um enigma leva a um fluido com poderes curativos que pode estar enterrado com o grande conquistador.
A vilã Zovastina pretende destruir o poderoso líquido, pois ele representa a única ameaça a seu plano político ardilosamente orquestrado.
Terceiro livro da série de Cotton Malone.
O jaguar – ou onça-pintada, para os brasileiros – é considerado o maior felino do continente americano e, mais do que isso, um importante personagem da história das três Américas. Dispostos a desvendar esse animal-mito, a jornalista e blogueira do Planeta Sustentável Liana John e o especialista em ecologia e conselheiro do Planeta Sustentável Evaristo Eduardo de Miranda se propuseram a estudar, a fundo, o felino.
O resultado dessa intensa pesquisa é o delicioso livro “Jaguar. O rei das Américas”, publicado pela Editora Metalivros, que reúne informações a respeito da biologia e ecologia da onça-pintada e, ainda, analisa a relação do homem com esse animal e, também, com o mito que ele representa para uma porção de culturas.
A obra é dividida em duas partes e a primeira delas ficou a cargo de Evaristo. O autor descreve a aventura evolutiva dos felinos, até o aparecimento das onças-pintadas nas Américas, e ainda explica como esse animal se tornou o maior predador do continente. “O jaguar disputava espaço com animais carnívoros muito maiores do que ele. Vivia escondido. Até que, há cerca de 10 mil anos, uma grande extinção da biodiversidade, que desapareceu até com os mamutes, mudou esse cenário”, contou Evaristo.
Hoje, apesar de não ter a maior patada do reino animal e nem ser o mais veloz dos bichos, a onça-pintada possui a maior mordida e, também, a mais fatal. “Ela vai no crânio da presa. Mata na hora. É diferente, por exemplo, de um leão, que ataca a garganta de sua vítima”, disse Evaristo. Essas e muitas outras curiosidades a respeito dos hábitos, características físicas e distribuição geográfica das onças-pintadas estão relatadas na primeira parte do livro, que analisa ainda a atual relação do homem com essa espécie de felino. “O jaguar ainda está ameaçado em alguns lugares, como os EUA, mas no geral está bem conservado e possui uma boa convivência com o ser humano, o que inclusive contribui para que ele perca o medo do homem e não hesite em atacar, em alguns momentos”, contou o autor, lembrando de umas das histórias reais, que relata no livro, de um assentado de reforma agrária, no Apuí, no Amazonas, que lutou com uma onça-pintada, usando apenas as mãos e, surpreendentemente, sobreviveu.
A segunda parte do livro foi escrita por Liana John, que se propõe a analisar a importância cultural do jaguar, que é considerado um verdadeiro mito de força, poder e sexualidade para diferentes povos, como os maias, incas e xingus. “É interessante como, apesar de serem etnias distintas, elas têm em comum o grande respeito pela onça-pintada. Cada capítulo da segunda parte do livro mostra uma representação diferente que esse animal possui para essas culturas. Em algumas, ele é visto como guerreiro. Em outras, é um deus ou, até mesmo, um xamã”, contou Liana.
Na obra, a análise cultural da jornalista não se restringe à antiguidade. Liana descreve a importância do animal desde a época pré-histórica, quando já aparecia em pinturas rupestres, até a modernidade, quando pode ser visto, até mesmo, em estampas de calcinha. “Ou em marcas de cachaça e de carro, sem contar os clássicos da literatura e os clubes e associações que levam o nome do animal”, disse Liana, que concluiu: “As pesquisas históricas que eu fiz e que retrato no livro mostram que, cada um a sua maneira, todos são fascinados pela onça-pintada. É impressionante: ela carrega uma aura de bicho poderoso”.
Do começo ao fim, a obra é recheada de belíssimas imagens e, no final do livro, ainda há a tradução completa do texto para o inglês. “Espero que esse trabalho torne a onça-pintada mais conhecida, em seus detalhes. Afinal, preservação se estimula com conhecimento. Ninguém estará preocupado em ajudar a conservar um animal que nunca viu, não gosta e não admira”, disse Liana.
Quase um quarto de século depois do lançamento no Brasil (1987) pela Nova Fronteira, o romance clássico de Frank Patrick Herbert, Jr., Duna, é reeditado, agora pela Editora Aleph, com 544 páginas, em vez das 670 da edição anterior.
A versão da Nova Fronteira, com tradução de Jorge Luiz Calife, uma preciosidade, dificilmente é encontrada em sebos, e por isso mesmo pode valer mais de R$ 100,00, enquanto a obra que sai pela Aleph custa quase metade disso.
Quando saiu no Brasil, no entanto, Duna, que originalmente é de 1965, já era um clássico reconhecido em escala mundial mesmo entre autores de ficção científica, como o celebrado Arthur Clarke. O livro ganhou os cobiçadíssimos prêmios Hugo e Nébula já no ano de sua publicação e, além de render uma série de cinco outros livros, foi levado às telas sob direção de David Lynch e, sob a tutela de Dino di Laurentis, acabou se revelando, imerecidamente, um fracasso.
Além das outras obras (O messias de Duna, 1969; Os filhos de Duna, 1976; O imperador deus de Duna, 1981; Os hereges de Duna, 1984; e As herdeiras de Duna, 1985), por exemplo, Duna teve outros desdobramentos. A banda de heavy metal Iron Maiden compôs uma música inspirada no livro, "To tame a land", que integra o álbum Piece of mind, de 1983. Essa música deveria ter o nome do livro, mas a iniciativa foi rejeitada por Frank Herbert.
A historia de Duna ocorre em um futuro distante, algo como 30 mil anos, quando a Terra já não é mais habitada e sua história foi quase inteiramente apagada.
Arrakis, ou Duna, é um dos planetas mais importantes de um império intergaláctico, de paisagem pobre e sem peso político. Todo seu prestígio se deve à mélange (miscelânea, mescla, em francês e inglês), uma disputada especiaria de que é a única produtora. Um decreto oficial estabelece que o controle desse planeta é concedido ao clã dos Atreides, mas o que parece ser um privilégio se revela uma armadilha que leva a uma conflagração.
Na crise, o jovem Paul Atreides é preparado para liderar seu povo enquanto se inicia nos mistérios de uma sociedade (Bene Gesserit). Ele é herdeiro do duque Leto Atreides, da Casa Atreides, e também é conhecido como Mahdi, Muad'Dib e Usul. Como filho da nobreza, é educado em todas as áreas do conhecimento e exercitado em diferentes técnicas de lutas corporais. Além do condicionamento em Bene Gesserit o jovem Atreides também é Mentat. Os Mentats são verdadeiros "computadores humanos" treinados desde a infância para utilizar a mente em cálculos complexos e previsões lógicas. Já a Bene Gesserit era uma antiga escola de treinamento físico e mental estabeleci da para estudantes do sexo feminino após o jihad Buthleriano ter destruído os robôs e as chamadas "máquinas pensantes", os computadores.
O planeta Duna não abriga computadores, as máquinas pensantes, pois a religião do império proíbe o uso delas com a justificativa de que podem destruir a humanidade. Esta é a razão de todo o trabalho de cálculo ficar sob-responsabilidadedos Mentats.
As características extraordinárias de Paul Atreides, personagem central da obra, são justificadas pelo fato de ele ser resultado de um programa de seleção genética milenar das Bene Gesserit. A mãe de Paul, a concubina do duque Leto Atreides, lady Jessica, deveria gerar uma filha e casar-se com Frey-Rautha Harkonnen, sobrinho do barão V1adimir Harkonnen, líder da Casa Harkonnen. Mas ela desobedece à ordem motivada ao amor pelo duque Leto Atreides. Assim, o produto dessa seleção genética, que deveria manifestar-se no filho de lady Jessica e Frey-Rautha Harkonnen, toma forma em Paul e faz dele não apenas portador de presciência como memória genética de seus antepassados.
Esse conjunto de características faz com que Paul Atreides se transforme em líder religioso, além de político e militar dos habitantes do planeta Duna, os fremem. Aqui se destacam Chani, concubina de Paul, e Liet-Keynes, planetólogo que se tornou fremem e é o pai de Chani.
O conflito que permeia a obra é um duelo entre as três famílias nobres: a Casa imperial Corrino, a Atreides e a Harkonnen. O imperador Shaddam IV, líder dos Corrino, enxerga nos Atreide uma ameaça ao seu trono entre outras razões pelo carisma e popularidade do duque Leto Atreides junto aos nobres na assembleia Landsraad. Ele decide que a Casa Atreides deve ser destruída, mas para evitar riscos de as demais casas se unirem contra ele, explora uma rivalidade entre os Atreides e os Harkonnen elegendo para essa tarefa o ambicioso barão V1adimir Harkonnen.
Franklin Patrick Herbert, Jr., (1920 – 1986), vítima de câncer de pâncreas, era um polivalente. Operou câmeras de TV, foi comentarista de rádio, pescador de ostras, instrutor de sobrevivência na selva, psicólogo, professor de escrita criativa, jornalista e editor de jornais até se dedicar à ficção científica com exclusividade. Seu primeiro conto de ficção, Looking for something? saiu em 1952, publicado pela revista Startling Stories, mas a consagração chegou em 1965, com Duna.