quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Príncipe de Histórias: Os Vários Mundos de Neil Gaiman



Autores: Hank Wagner, Christopher Golden e Stephen R. Bissette.
Tradutor: Santiago Nazarian
Formato: 15,5 x 22,5 cm.
Páginas: 760
Categoria: Biografia
ISBN: 978-85-61501-71-6
Preço: 
R$69,90

Fenômeno da cultura pop, amado por leitores sofisticados, mas principalmente por jovens que curtem ou não literatura em geral. Um dos 10 maiores escritores pós-modernos, ao lado de Thomas Pynchon e William Burroughs. Um cofre de histórias que rivalizam com J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis. Autor de histórias em quadrinhos para intelectuais. Cineasta, escritor de ficção fantástica, autor de HQs, roteirista de cinema e TV — um fenômeno multifacetado mundial que realizou a façanha de fazer com que histórias em quadrinhos fossem reconhecidas no mundo acadêmico.
O nome dele é Neil Gaiman, um inglês radicado nos Estados Unidos, realmente um fenômeno. Por onde anda — e veio várias vezes ao Brasil — provoca filas quilométricas nas noites de autógrafos, lota auditórios e fascina fãs de ambos os sexos. É este fenômeno que Hank Wagner, Christopher Golden e Stephen R. Bissette tentam decifrar nas 660 páginas do monumental “Príncipe de Histórias: Os Vários Mundos de Neil Gaiman”, lançado pela Geração Editorial, com prefácio de Terry Prachett, para quem Gaiman “não é um gênio como os outros”, mas um trabalhador incansável de sua arte e alguém que sabe lidar com truques únicos, não como um mágico, e sim como um ilusionista que se esforça sempre por fazer o melhor.
A arte de Neil Gaiman quebrou tabus e transpôs fronteiras tidas como invioláveis no mundo da crítica literária, que sempre torceu o nariz para o artigo de bancas chamado HQ. Com “Sandman”, as HQs foram das bancas para as livrarias nobres, cunhando uma denominaçãomais abrangente, “graphic novel”, atingiu leitores e consumidores refinados e insuspeitados e inaugurou importantes rupturas estéticas a partir da publicação de seu trabalho mais famoso em 1989.
Trata-se de um livro para quem conhece ou quer conhecer a vida e a obra desse gênio da cultura pop, endeusado por seu editor William Morrow e elogiado por gente tão díspar quanto Stephen King, o mago das histórias de terror; e Norman Mailler, um dos maiores escritores americanos de todos os tempos.
Nascido em 1960 em Portchester, Inglaterra, desde jovem Gaiman foi um leitor ávido de literatura de fantasia, de nomes como J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis, e começou sua carreira como jornalista em várias áreas do entretenimento, incluindo a crítica de cinema e música, o que prova o seu primeiro livro publicado, sobre o conjunto pop Duran Duran. Na trívia divertida, que bebe de muitas fontes, de “Príncipe de Histórias: Os Vários Mundos de Neil Gaiman”, ficamos, sabendo que, como crítico de cinema, Gaiman se entusiasmou muito pelo primeiro filme da série de vampiros “A hora do espanto”, famosa nos anos 1980, e que mais tarde se arrependeu de seu entusiasmo. Com “Orquídea Negra” e “Monstro do Pântano”, personagens que ressuscitou com talento, Gaiman foi trabalhar na DC Comics. E chegando à publicação de “Sandman”, tornou-se um sucesso absoluto do gênero. Por ele, Gaiman teve amplo reconhecimento e ganhou o ambicionado World Fantasy Award. Gaimantambémchegou ao cinema com sua história “Beowulf” e, além de “Sandman”, fez muito sucesso com “Coraline” e outras histórias, justificando plenamente o título de príncipe que lhe dá este volume.
“Príncipe de Histórias: Os Vários Mundos de Neil Gaiman” é uma hábil compilação de muitos artigos, perfis de personagens, entrevistas e dados históricos e biográficos sobre Gaiman, célebre “jack of all trades” (pau para toda obra ou multimídia, em português) por Hank Wagner, Christopher Golden e Stephen R. Bissete. No prefácio, Terry Pratchett refere-se a Gaiman como um homem que dividiu a história das HQs, tendo sobre elas um efeito comparável ao que J.R.R. Tolkien teve sobre o mundo dos romances de fantasia: algo que depois precisou mudar, uma influência decisiva que só fez se prolongar e ramificar ao longo dos anos sobre o gênero e seus novos autores.
Dividido em doze partes, o livro mostra com meticulosidade os muitos Gaiman existentes, desde o apreciador fanático de sushi, sempre vestido de preto, ao criador do corporativo e necessário Fundo de Defesa Legal dos Quadrinhos (Comic Book Legal Defense Fund). Um retrato caleidoscópico do mestre das HQs, o livro satisfará plenamente tanto o fã do gênero, que tem Gaiman na conta de mestre, quanto o leitor comum, em contato com um personagem extraordinário, um artista de vários mundos e atordoantes talentos.
Os autores deste livro, à altura do talento do biografado e analisado, venceram o desafio de poder contar tudo o que é possível saber, tudo (e talvez mais um pouco) sobre o que Gaiman fez, quem ele foi e é, o que pensa de seus personagens, como os cria e tudo que haverá de fisgar o fã e cativar o leitor comum. O estilo caleidoscópico e vertiginoso tem tudo a ver com o universo estético do próprio Gaiman.
Depois da leitura de “Príncipe de Histórias: Os Vários Mundos de Neil Gaiman”, mesmo o fã mais informado e inveterado do escritor saberá sobre ele muito mais do que julgava saber. E o leitor comum sairá fascinado, disposto a procurar “Sandman”, “Coraline” e outros sucessos de Gaiman na livraria mais próxima.

Robson Crusoé – Daniel Defoe (Adaptação HQ)


Este é o primeiro volume da coleção “Clássicos da Literatura em Quadrinhos”. A adaptação de Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, foi realizada pela dupla francesa Christophe Lemoine (que fez a adaptação e o roteiro) e Jean-Cristophe Vergne (responsável pelos desenhos e cores).
O lindo livro em capa dura oferece 60 páginas, todas coloridas, e que traz ainda, no final, um completo dossiê, contextualizando o clássico com informações detalhadas sobre o autor, sua época e sua obra. No caso de Robinson Crusoé, há dez páginas que contam, por exemplo, como Daniel Defoe começou sua carreira de romancista aos 59 anos em 1719. Há também um ótimo texto que complementa a história e faz com que o leitor entenda ainda mais a respeito do herói que fica 25 anos sozinho em uma ilha deserta: “O náufrago é uma espécie de novo Adão, que precisa aprender a dominar o ambiente na mais completa solidão. Ele se torna marceneiro, construtor, caçador, agricultor, ceramista, costureiro, cesteiro. (…) Através de Robinson, o arquétipo do intrépido marinheiro inglês, Defoe celebra a capacidade do homem branco de se impor, a coragem daquele que se aventura em uma terra desconhecida e o triunfo do individualismo motivado pelo lucro mas também interessado em apresentar os benefícios da civilização aos selvagens…”
A coleção é um grande sucesso na França e na Bélgica, formada por adaptações de alguns dos principais clássicos da literatura mundial. O objetivo é oferecer um livro que encante todos os leitores e que seja direcionado também para estudantes. Aliás, este caráter pedagógico fez com que a coleção ganhasse total apoio da UNESCO.
Além de Robinson Crusoé, L&PM Editores vai publicar, dentro da Coleção “Clássicos da Literatura em Quadrinhos”, A ilha do tesouro, de R. L. Stevenson; A volta ao mundo em 80 dias, de Julio Verne e Um Conto de Natal, de Charles Dieckens;  Odisseia, de Homero; Dom Quixote, de Cervantes,Viagem ao Centro da Terra, de  Júlio Verne; Guerra e Paz, de Leon Tolstói; Os miseráveis, de Victor Hugo e As mil e uma noites.

Como Mudar o Mundo – Eric Hobsbawm

ELEONORA DE LUCENA
para Folha de são Paulo



"A grande crise econômica que começou em 2008, como uma espécie de equivalente de direita à queda do Muro de Berlim, trouxe uma compreensão imediata de que o Estado era essencial para uma economia em dificuldades, do mesmo modo como fora essencial para o triunfo do neoliberalismo quando os governos lançaram suas bases por meio de privatizações e desregulações sistemáticas."
Com essa análise, Eric Hobsbawm chega ao final de seu novo livro, "Como Mudar o Mundo - Marx e o Marxismo, 1840-2011".
Ao contrário do que o título pode sugerir, não se trata de um manual ligeiro para revolucionários afoitos. É um mergulho profundo na história do marxismo, mostrando como a trajetória desse pensamento se entrelaçou com as lutas sociais e políticas.
Aos 94 anos, o autor do extraordinário "Era dos Extremos" (1995) esbanja erudição e clareza. Transita entre clássicos da filosofia, da política, da economia e das artes.
Avalia as obras e os seus críticos dentro das tensões da história. Vasculha como o marxismo chegou a abarcar um terço da humanidade e como se despedaçou com o fim da URSS. E como reaparece agora, na busca de explicações para a crise.
Hobsbawm esmiúça a gênese da produção de Karl Marx (1818-1883), que recebeu influências do socialismo francês, da filosofia alemã e da economia-política britânica.
Para além da discussão acadêmica, mostra como o marxismo, diferentemente de outras correntes de pensamento, empurrou gerações para a ação, estimuladas pela célebre frase: "Os filósofos têm apenas interpretado o mundo; a questão, porém, é transformá-lo".
No desenvolvimento dos movimentos sociais, dos partidos e governos criados sob inspiração marxista, Hobsbawm disseca distorções, simplificações e determinismos que não encontram base nos escritos originais.
Nada na obra de Marx, por exemplo, sustenta a inevitabilidade da sequência de modos de produção -escravismo/feudalismo/capitalismo, argumenta.
"Marx e Engels deixaram para seus sucessores um pensamento político com vários espaços vazios ou preenchidos de modo ambíguo", escreve o historiador. "Eles rejeitaram as dicotomias simples daqueles que se dispunham a sociedade ruim pela boa, a desrazão pela razão, o preto pelo branco", enfatiza.
Hobsbawm lembra de algumas desses áreas cinzentas, como os conceitos da ditadura do proletariado, do nacionalismo e da autodeterminação. Navega com o marxismo pelas guerras mundiais, pela luta contra o fascismo, pelas universidades.
Presta uma homenagem a Antonio Gramsci (1891-1937), o teórico e militante para quem "o marxismo não era determinismo histórico. Não bastava esperar que a história de alguma forma levasse automaticamente os trabalhadores ao poder".
Para Hobsbawn, o auge da "maré intelectual" do marxismo foi nos anos 1970. Depois houve a derrocada rápida, com a queda do Muro de Berlim (1989) e o fim da URSS (1991). Marx passou a ser mostrado "como o inspirador do terror e do gulag". Agora, a crise trouxe Marx de volta.
Avaliando o momento, Hobsbawm nota que "os socialistas não sabem o que fazer, pois não podem apontar exemplos de regimes comunistas ou social-democratas imunes à crise nem têm propostas realistas para uma mudança socialista".
Fala dos protestos "de intensa insatisfação social sem perspectiva", teme "o risco de uma guinada brusca da política para uma direita radical" e não descarta "a possibilidade de uma desintegração, até mesmo de um colapso, do sistema existente. Nenhum dos dois lados sabe o que aconteceria nesse caso".
Não é um guia nem tem as respostas para a crise. Mas ajuda a pensar. Para o historiador marxista, quem quiser soluções para o século 21 "deverá fazer as perguntas de Marx, mesmo que não queira aceitar as respostas dadas por seus vários discípulos".
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