Resenha da Scientific American Brazil (Jan. 2011)
Se o leitor estiver interessado numa exploração lúdica, para não dizer profundamente apaixonada por um objeto dos mais fascinantes – se não o mais fascinante - já produzido pela humanidade, aqui está uma oportunidade que não deve perder: A memória vegetal, do sem- pre surpreendente Umberto Eco. Para quem não está disposto a aceitar um convite como este sem a demonstração de alguma evidência de que é procedente, por favor, passe os olhos pelas linhas seguintes: "Como é belo um livro, que foi pensado para ser tomado nas mãos, até na cama, até num barco, até onde não existem tomadas elétricas, até onde e quando qual- quer bateria se descarregou. Suporta mar- cadores e cantos dobrados, e pode ser derrubado no chão ou abandonado sobre o peito ou joelhos quando caímos no sono". Se tiver sido sensibilizado, saiba então que neste volume de porte despretensioso Umberto Eco faz uma declaração explícita de amor às bibliotecas e aos livros combi- nando como um cozinheiro de sensibili- dade, pitadas de humor, sutileza e habilidade. Entre outras ofertas, Eco conta a história do livro, das bibliotecas, diz que não é preciso ser rico para se transformar num colecionador e conta como melhor proteger esses tesouros que abrigamos em prateleiras domésticas. Umberto Eco ficou mundialmente I conhecido pelo romance O nome da rosa, que lhe deu certo ar de erudição. De fato, ele é um erudito, mas, aqui, flui com a leveza de um fio d'água.
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