Marcel Mazoyer é professor emérito de agricultura comparada e de desenvolvimento agrícola no Instituto Nacional Agronômico Paris-Grignon e Laurence Roudart, mestre de conferências de economia política agrícola e alimentar no Instituto Nacional Agronômico Paris-Grignon, na França Combinando seus talentos, produziram essa obra que saiu em 1997 pela Éditions du Seuil, com republicação em 2002. No Brasil ela saiu pela Editora da Unesp em 2008 e em 2009.
Trata-se de uma obra que, lamentavelmente, talvez por falta de tradição, comodismo ou carência de abrangência histórica não costuma ser produzida no Brasil. Tanto por pesquisadores em atividade, quanto por quem, aposentado, portanto livre das obrigações diárias, se disponha a descobrir o prazer de explorar o passado e partilhar a longa história de, por exemplo, semear a terra. O pouco disso que existe entre nós é praticamente a exceção, o que confirma a regra.
O livro está, enganosamente, dividido em 11 capítulos, mas como cada um deles está subdividido, o resultado é uma obra que soma 567 páginas, o que significa que não é desafio para leitores apressados, mas para quem está disposto literalmente a mergulhar fundo. Indispensável, portanto, ao menos em princípio, em bibliotecas de universidades, institutos de pesquisas e outras unidades de investigação além, evidentemente, de pesquisadores, que trabalhem ou não diretamente com agricultura E isso porque, durante séculos, toda a ciência produzida pelos humanos, ao menos o que hoje chamaríamos de ciência, esteve confinada à agricultura. Sem esquecer que ela se es tendeu da terra ao céu, pois o calendário foi elaborado basicamente com preocupações agrícolas, mesmo partilhando indicações com rituais religiosos.
O trabalho que consumiu quatro anos de pesquisa, calcado em 40 anos de experiência profissional, incluiu investigações nas áreas de história, geografia, antropologia, sociologia e economia.
História das agriculturas no mundo se inicia pela abordagem da herança agrária humana, passando pela teoria das transformações históricas e da diferenciação geográfica dos sistemas agrários, além da crise agrária e a crise geral dessa área de atividade. No livro são consideradas ainda a revolução agrícola do neolítico, a evolução dos sistemas agrários hidráulicos para prover as culturas do indispensável abastecimento de água, o sistema agrário inca e o cultivo com uso da tração animal. Ao menos até que técnicas mais modernas introduziram não só a mecanização, mas também a fertilização mineral e o estabelecimento de políticas nacionais de proteção e de desenvolvimento da economia camponesa pobre e a reforma agrária.
A obra constata um paradoxo desconfortável ao relatar que a maioria das pessoas que passam fome no mundo não são, necessariamente, moradores urbanos, mas justamente camponeses produtores e comerciantes de alimentos. Todas essas considerações evidenciam a importância da agricultura, se não a maior, uma das principais revoluções na história da humanidade.
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